Destaques

27/11/2015 16:11

Cancioneiro - A Bahia tem Dendê

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Retrato da Bahia
Riachão

Quem chega na praça Cayru
Olha pra cima o que é que vê?
Ver o elevador Lacerda
Que vive a subir e a descer
É o retrato fiel da Bahia,
Baiana vendendo alegria
Coisinha gostosa de dendê
Lá na rampa do mercado
Saveirinho abarrotado
Muito fruto, em bom bocado
Tudo bom pra se comer
É o retrato fiel da Bahia
Baiana vendendo alegria
Coisinha gostosa de dendê



Vatapá
Dorival Caymmi

Quem quiser vatapá, ô
Que procure fazer
Primeiro o fubá
Depois o dendê
Procure uma nêga baiana, ô
Que saiba mexer
Que saiba mexer
Que saiba mexer
Procure uma nêga baiana, ô
Que saiba mexer
Que saiba mexer
Que saiba mexer
Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
Pimenta malagueta
Um bocadinho mais
Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
Pimenta malagueta
Um bocadinho mais
Amendoim, camarão, rala um coco
Na hora de machucar
Sal com gengibre e cebola, iaiá
Na hora de temperar
Não para de mexer, ô
Que é pra não embolar
Panela no fogo
Não deixa queimar
Com qualquer dez mil réis e uma nêga ô
Se faz um vatapá
Se faz um vatapá
Que bom vatapá
Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
Pimenta malagueta
Um bocadinho mais
Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
Pimenta malagueta
Um bocadinho mais
Amendoim, camarão, rala um coco
Na hora de machucar
Sal com gengibre e cebola
Acarajé tem Dendê



Jauperi

Ouvi falar que o samba é rock
Ouvi dizer que a onda é funk
Vai do Chuí ao Oiapoque
Até o índio virou punk
Ouvi falar, do lado de lá
O povo gosta de música baiana
Ouvi dizer, acarajé tem dendê
Ouvi falar, do lado de lá
O povo gosta de música baiana
Ouvi dizer, acarajé tem dendê
Acarajé tem dendê, acarajé tem
O aquecimento global
Provoca uma onda muito forte de calor
Os biquínis estão cada vez menores
E o consumo de cerveja cada vez maior
Praia e sol
Lua, luminosidade
Praia e sol
Lua, sol, sol, sol, sol
Oh calor, calor, calor, calor, calor, calor
Oh calor, calor, calor, calor (BIS).



Acara

Mãe negra trouxe acará lá da África 
Mãe negra baiana aprendeu a fazer 
Mãe negra aprendeu a comer 
Mãe negra aprendeu a fazer 
Mãe negra aprendeu a vender acará (2x) 
Feijão fradinho de molho pra soltar a casca 
Passar no minho prepara a massa 
Feijão fradinho de molho pra soltar a casca 
Passar no minho prepara a massa 
Depois mexe bem com a colher de pau 
Tempera a massa com cebola e sal 
Ajeita o bolinho na colher 
Bota pra frita no dendê 
Depois é só rechear e comer 
Abre ele ao meio bota caruru 
Camarão pequeno é o recheio 
Com colher pequena bota vatapá 
Salada e pimenta pra quem aguenta 
Mesmo quem não ceder a tentação 
Não pode resistir a seu cheiro e sabor 
Comida da minha mãe Iansã 
Cartão de visita de Salvador 
Declamado: 
A palavra acará está ligada ao Agerê 
Cerimônia africana segundo Pierre Verger
É uma prova de fogo onde o iniciado novo 
Testa a verdade que crê 
Agerê é cerimônia onde Xangô e Oiá 
Comem mechas de algodão chamadas de acará 
De acordo com esse jogo acará é o 
Próprio fogo que se faz representá 
Acará significa bolinho de feijão frito 
No azeite de dendê jê é o verbo comer 
Acarajé significa comer fogo é um mito 
Acarajé veio pra rua garantir a obrigação 
Dinheiro pra Iaô que fazia devoção 
Hoje ele é vendido como prato preferido 
De toda a população 
Acarajé iguaria nome de origem Nagô 
Todo mundo aprecia o inigualável sabor 
Na Bahia do axé inegavelmente 
É o capitão de Salvador e uma nega baiana 
Iniciando com fé encomendando a guia 
Iansã é a mulher retrato mor da Bahia 
Acará acarajé 
Mãe negra trouxe acará lá da África 
Mãe negra baiana aprendeu a fazer 
Mãe negra aprendeu a comer 
Mãe negra aprendeu a fazer 
Mãe negra aprendeu a vender acará 
Olha o acarajé, olha o acará 
Acarajé quentinho 
Acarajé de Itapuã 
acarajé do Rio Vermelho 
Acarajé do Garcia 
Acarajé da Bahia 
Acarajé da Ribeira 
Olha o acarajé, olha o acará 
Mãe negra aprendeu a comer 
Mãe negra aprendeu a fazer 
Mãe negra aprendeu a vender acará...



Bahia, Forró E Folia /Adelmario Coelho

Todo brasileiro se amarra na folia
Pois o Brasil foi batizado na Bahia
Todo o povo brasileiro se amarra na folia
Pois o Brasil foi batizado na Bahia
Sou a Bahia do acarajé
Do afoxé, do candomblé
Da vibração atrás do trio
Cada palavra de um livro de Jorge Amado
Eu sou um xote regueado de Gilberto Gil
Sou capoeira jogada no Pelourinho
Num batuque de Carlinhos
Eu sou o som do berimbau
Sou a mistura de Chiclete com Banana
Sou não sei quantas semanas
De folia e carnaval
Sou o forró bacana do Trio Nordestino
Animando o mês junino
Do sertão ao litoral
Todo brasileiro se amarra na folia
Pois o Brasil foi batizado na Bahia
Sou a Lagoa do Abaeté
No meio da Praça da Sé
Eu sou Caetano em festival
Eu sou o mar numa jangada de Caymmi
Sou o som da voz sublime de Bethânia e Gal
Eu sou Ivete, Olodum e Ruy Barbosa
Sou Moraes em verso e prosa
Sou Raul em alto astral
Ascensorista do Elevador Lacerda
Venha ver que você herda toda vista original
Eu sou feirante lá no Mercado Modelo
Eu que vendo muito zelo, etc e coisa e tal
Todo brasileiro se amarra na folia
Pois o Brasil foi batizado na Bahia
Aqui eu deixo todo meu axé
Você já sabe como é
A minha gente, o meu lugar
Viva a Baía de Todos os Santos
Por todos os cantos, me ponho a cantar
Sou a baiana de sorriso largo
Nas festas de largo, de hoje e amanhã
Eu sou a água da lavagem da Ribeira
Do Bonfim, do Rio Vermelho, de Itapuã
Em Salvador eu sou soteropolitano
E na Bahia eu sou baiano
Ontem, hoje e amanhã
Todo brasileiro se amarra na folia
Pois o Brasil foi batizado na Bahia



A Bahia te espera
Herivelto Martins, Chianca Garcia 

A Bahia da magia 
Dos feitiços e da fé 
Bahia que tem tanta igreja 
E tem tanto candomblé 
Para te buscar 
Nossos saveiros já partiram para o mar 
Iaiá Eufrásia na beira do Sobradão 
Está formando seu candomblé 
Velha Damásia na ladeira do Mamão 
Está preparando acarajé 
Nossas morenas 
Roupas novas vão botar 
Se tu vieres irás 
Provar o meu vatapá 
Se tu vieres 
Viverás nos braços 
A festa de Iemanjá 
Vem, vem, vem 
Vem, vem, vem 
Vem em busca da Bahia 
Cidade da tentação 
Onde o teu feitiço impera 
Vem e me trazes o teu coração 
Vem, a Bahia te espera 
Bahia, Bahia 
Bahia, Bahia 



A baiana chegou 
J. B. de Carvalho e João Dias

A baiana chegou da Bahia 
Todo mundo comeu vatapá 
A Baiana chegou da Bahia 
Todo mundo comeu vatapá 
Com dendê e fubá 
E acarajé 
Comida-de-santo 
Quem é que não quer? 
P’rá fazer cangerê 
Só a baiana que sabe fazer 
Tem, tem pemba 
Tem, tem dia 
Em seu conga 
Tem, tem, tem 
Tem também feitiço no olhar 



Aquarela brasileira
Silas de Oliveira: 

Vejam esta maravilha de cenário 
É um episódio relicário 
Que o artista num sonho genial 
Escolheu para este carnaval 
E o asfalto como passarela 
Será a tela do Brasil em forma de aquarela 
Passeando pelas cercanias do Amazonas 
Conheci vastos seringais 
No Pará, a ilha dos Marajós 
E a velha cabana Timbó 
Caminhando ainda um pouco mais 
Deparei com lindos coqueirais 
Estava no Ceará, na terra do Irapuã 
De Iracema e upã 
Fiquei radiante de alegria 
Quando eu cheguei na Bahia 
Bahia de Castro Alves 
Do acarajé, das noites de magia do candomblé 
Depois de atravessar as matas do Ipu 
Assisti em Pernambuco à festa 
Do frevo e do maracatu 
Brasília tem o seu destaque 
Na arte, na beleza e arquitetura 
Feitiço de garoa pela serra 
São Paulo engrandece a nossa terra 
Do leste por todo o centro-oeste 
Tudo é belo e tem lindo matiz 
E o Rio de sambas e batucadas 
Dos malandros e mulatas 
De requebros febris 
Brasil, estas nossas verdes matas 
Cachoeiras e cascatas de colorido sutil 
E este lindo céu de azul anil 
Emolduram aquarela o meu Brasil 



Buzigim Folodó
Dito

Buziguim Folodó é qualquer diabo que você disser 
Buziguim Folodó é qualquer diabo que você disser 
Farofa de dendê 
Gamela de abará 
É malê de balê 
Levada de Ijexá 
É coisa de comer 
É coisa de pensar 
É coisa de beber 
É coisa de mexer 
É coisa de chorar 
Buziguim Folodó 
É massa, é raça, é tanga, é mulé 
Buziguim Folodó é pó, é poeira 
É rapa, é rapé 
É gozo, é bem querer 
É jeito de tocar 
É beijo e dá prazer 
Maneira de amar 
É fogo pra queimar 
O peito de quem tem 
É brasa, é asa, é dona da casa 
É pinga, é ginga, é bunda, é mandinga, é mangue 
É muzenza, é dengo, é neném 



Conceição da Praia
Dilu Melo e  Oldemar Magalhães: 

Na Conceição da Praia tudo é bonito, 
Tem samba, tem batuque, tem candomblé, 
Tem capoeira meu bem, abará e acarajé. 
Tem baiana formosa de bata rendada, 
De brincos de ouro e sandália enfeitada, 
Como requebra bem, 
Quem me dera, 
Ai, se eu pudesse ir à Conceição também. 
Ver jogar capoeira, 
Ver roda de samba, 
E a nega do acarajé, 
Eu não perco meu bem esta fé, 
De um dia ir a Conceição, 
Ver na roda de samba, 
Nego se embolando na areia, no chão



Exaltação à Bahia
Vicente Paiva e Chianca de Garcia

Ôi, Bahia, 
Umbu, vatapá, 
Azeite de dendê, 
E tem moamba, 
Pra nego bamba fazer canjerê. 
Um nome na história vou buscar, 
Sargento Camarão herói foi da Bahia, 
Castro Alves nos faz relembrar 
Tempos da abolição, poeta da Bahia, 
Rui Barbosa fogo triunfal, 
Voz da raça e do bem, o gênio da Bahia, 
E há neste todo natural, 
O que a baiana tem, a graça da Bahia. 
A Bahia tem conventos, 
Tem macumba e tem moamba, 
Mas onde ela é mais Bahia, 
É no batuque, no samba 
Foi na Bahia das igrejas todas de ouro, 
Onde valem as morenas um tesouro como nenhum, 
Como nenhum pode haver, 
Onde as baianas com sandália e balangandã, 
Vão mostrar ao mundo inteiro, 
Nosso samba brasileiro 
E de auri-verde, 
Bahia, ôh! 
Alegria, ôi, do Brasil. 



Fiquei na Bahia
João Melo e Codó: 

Saí do Norte num pau de arara 
Com destino ao Rio de Janeiro, 
Passei na Bahia, gostei, 
Fiquei, fiquei, fiquei, fiquei. 
Senti cheiro de dendê, 
Gosto bom de abará, 
Vi terreiro de Nagô, 
E vi a baiana sambar, 
Requebrando, requebrando, 
No bater do canzuá. 
Amor, calor 
Areia nos pés 
Nossos pés 
Então 
Deu pra aprender 
Que céu é céu 
E eu Iansã 
Neste planeta blue 
Solto, redondo, torto 
Essa canção 
Eu fiz por querer 
Tem mais que eu 
Queria dizer 
Que eu já disse tudo 
Que tinha pra dizer 
Nessa cantiga 
Que fiz pensando em você 



Ioiô você quer?
Cícero de Almeida

Ioiô você quer comer vatapá, 
Gostoso e bem feito por mão de Iaiá, 
Se já provou o acarajé meu bem, 
Muqueca de peixe, gostoso abará. 
É lá na Bahia que tem tudo isso, 
Morenas dengosas que fazem feitiço, 
Tem os olhinhos pretinhos, virados, 
Que botam na gente o tal de olhado. 
Que saudade que tenho lá da Bahia, 
Terra boa pra gente fazer folia, 
Tem um santo muito forte, milagroso, 
Do Brasil um santo velho e poderoso 
E no samba as baianas tem que ir 
Com sandálias de veludo e marroquim, 
Pois na Penha vão fazer as omelita 
E rezarem na Igreja do Bonfim
Amor, calor 
Areia nos pés 
Nossos pés 
Então 
Deu pra aprender 
Que céu é céu 
E eu Iansã 
Neste planeta blue 
Solto, redondo, torto 
Essa canção 
Eu fiz por querer 
Tem mais que eu 
Queria dizer 
Que eu já disse tudo 
Que tinha pra dizer 
Nessa cantiga 
Que fiz pensando em você 



Meu lugar é Sampa
Luiz Perna


Eu gosto da Bahia / mas meu lugar é Sampa / aqui é muito bom / mas foi ...
Yemanjá, vatapá, água de côco 
Azeite de dendê, vem só pra ver 
Eu gosto da Bahia 
Mas meu lugar é Sampa 
Aqui é muito bom 
Mas foi lá que eu deixei meu samba 
Lindo Rio de Janeiro 
Pois todo mês de fevereiro 
Carnaval vou ver, vem só pra ver 
Acho lindo o Corcovado 
Mas vou ficar em Sampa 
As mulheres cariocas 
Mas foi lá que eu deixei meu samba 
B.H., vou pra lá 
Nessas montanhas lindas de se ver, 
Vem só pra ver 
A Lagoa da Pampulha 
Mas vou morar em Sampa 
Beijo o queijo distraído 
Mas foi lá que eu deixei meu samba 



Na Bahia
Herivelto Martins, e Humberto Porto

Na Bahia o nego macumba noite e dia, 
fazendo moamba, tirando quebranto das Filhas de Santo, 
Terra de crença, lá nasceu a esperança, 
E a fé tão grande assim fez morada no Bonfim. 
Na Bahia tem, tem orixá, 
Na Bahia tem, arroz de hauçá, 
Santos e comidas, tem canjerê, 
Na Bahia tudo tem, molho de azeite de dendê. 



Na onda gostosa do Quibundo
Bell Marques e Renatinho da Silveira


A onda gostosa do Quibundo 
Do quilombo 
Do ingongo 
Do calunga 
Atiçou a lenga-lenga do cafuné 
A ginga do Alberto Legulé 
O gosto ardente do acarajé 
Ijexá 
Aratu 
Aganju 
Amalá 
A onda gostosa do Quibundo 
Do quilombo 
Do ingongo 
Do calunga 
Amansou o espinho mole do maxixe 
O ronco da batucada de Torôco 
O berro grosso do inquice 
Baba de moça, viço de azeviche 
Da quizila 
Ibêji 
Acaçá 
Caxixi 
A onda gostosa do Quibundo 
Do quilombo 
Do ingongo 
Do calunga 
Perfumou a goma da Goméia 
A gema do azeite de dendê 
A autoridade de Bamboxê 
Ô Bogum 
Irôko 
Iá omin 
Titerê



Nas cadeiras da baiana
Portelo Júnior e Léo Cardoso

Nas cadeiras da baiana tem 
Tem candomblé, tem feitiço, 
Canjerê com azeite de dendê, 
Baiana que faz cocada, acaçá e tudo enfim. 
Baiana que tanto gosto e que não gosta de mim, 
Baiana eu canto samba, canto valsa e não dou rata 
Vou lá na tua janela fazer uma serenata. 
Que você canta eu sei, sua voz é muito boa, 
Éh! mas pra cima de "moi" a sua voz não entoa. 



Nega tu dá no couro
Zeca Baleiro

Nega tu dá no couro 
Ô nega tu num dá 
Quando cai no samba ba 
Quando entra na macumba 
Estremece a tumba 
De Tutankamon oh Amon-rá 
Ginga com seu belo par de coxas 
E a moçada em slow-motion grita saravá 
Aleluia shalom shalom meu bom Alá 
Nega de molejo mole 
Nega malemolente chega 
Vai ser boa assim na caixa-prego 
Mas um dia ainda te pego 
Nega nenem sem negacear 
Juro pelos doi chifres da vaca mocha 
Juro por Deus e Oxalá 
Eu juro até pelas barbas do Aiatolá 
Quando ela dança mansa 
Quando ela balança oba 
Fico de juízo fraco 
Toco fogo no barraco 
Troco as pernas dano a gaguejar 
Ne-neguinha invenção do de-demo 
Queimo mais que pimenta de vatapá 
Acarajé xinxim moqueca e abará 



No tabuleiro da baiana
Ary Barroso

No tabuleiro da baiana tem 
Vatapá, oi, caruru 
Mugunzá, tem umbu 
Pra Ioiô 
Se eu pedir você me dá 
O seu coração, seu amor de Iaiá? 
No coração da baiana tem... 
Sedução, ô, canjerê 
Ilusão, ô, candomblé... 
Pra você 
Juro por Deus, pelo Senhor do Bonfim 
Quero você 
Baianinha, inteirinha pra mim 
E depois o que será de nós dois? 
Seu amor é tão fugaz e enganador! 
Tudo já fiz 
Fui até num canjerê 
Pra ser feliz 
Meus trapinhos juntar com você 
E depois 
Vai ser mais uma ilusão 
No amor quem governa é o coração 
No tabuleiro da baiana tem 
Vatapá, oi, caruru 
Mugunzá, tem umbu 
Pra Ioiô 
Se eu pedir você me dá 
O seu coração, seu amor de Iaiá? 
No coração da baiana também tem... 
Sedução, ô, canjerê 
Ilusão, candomblé, ô 
Pra você 



O que é que tem a baiana

Eu quero que me digam o que a baiana tem, 
Ela pra mim não é melhor que ninguém, 
Porque a carioca até vestida de chita 
Andando pela rua é muito mais bonita. 
E não quer cair por cima de ninguém, 
Não tem balangandãs, por que não lhe convém, 
Pois sendo carioca não precisa de nada, 
Nem torço de seda, nem sandália enfeitada. 
Não vai a candomblé nem gosta de magia, 
Não usa no pescoço figa de guiné, 
E não troca um croquete de confeitaria 
Por um tabuleiro de acarajé. 



O Rio virou sertão
Vicente Barreto e Celso Viáfora

Nas catacumbas da Pavuna, Antônio Conselheiro 
E a Baía da Guanabara que nem Juazeiro 
Num quilombo da Candelária ginga Ganga Zumba 
Com seu Paulinho da Santana e com Nelson Zabumba 
De repente, o oceano tinha ido embora 
Mandacaru brotou no chão da Marina da Glória 
Palmeiras de Dom Pedro ressecando a História, 
Lacrimejam na poeira da memória do Rio 
Olerê, olará, memória do Rio... 
Lá no galpão de são Cristóvão, areia e purpurina 
Onde o poeta desfralda a bandeira da Divina 
Saio no bumba pro Salgueiro ou lá pra Leopoldina 
Maracatuando Elizeth às cinco da matina 
E, mais que de repente, o Rio de Janeiro mostra 
O fundo da lagoa feito uma ferida exposta 
Um japonês pergunta onde é que fica a Costa 
E um barco do Greenpeace encalha em frentte ao Leblon 
Olerê, olará, ouço um velho acordeom... 
É Quixeramobim? É Quixadá? É Piripiri? 
Não 
Catumbi, Recreio, Bonsucesso, Grajaú 
Passo no Engenho-de-dentro para tomar uma pitu 
E vou dando pro Catete pra comer seu angu, 
Acarajé, munguzá, tapioca, abará 
Caruru, vatapá 
(Mas sem os frutos do mar) 
Olerê, olará os frutos do mar... 
Lá no alto da Pavuna, Antônio Conselheiro 
Junto com São Sebastião e com Xangô guerreiro 
Assistindo Paquetá sair do seu desterro 
Vendo o Atlântico ser engolido pelo Aterro 
E a Floresta da Tijuca toda sem nenhuma folha 
Feito cada olho d’água tivesse vista zarolha 
Quanto maior a sede, menos me sobrava escolha 
Dobrou o português o preço da mineral 
Olerê, olará (e 
nem é carnaval...) 
É Quixeramobim? É Quixadá? É Piripiri? 
Não 
Acordei com a boca seca na manhã tranquila 
O Rio virar sertão era ressaca da tequila 
Mas se tem dinheiro pra dar pra mim 
Isso é negócio, sim



Pai Orixá
Edgar Ferreira

Bate o congô 
Bate o conguê 
Salve o terreiro do acarajé 
Bate o congô 
Bate o conguê 
Oh, salve o Pai Orixá 
Eu venho da Luanda 
E trago a Liamba do lado de lá 
Ai Luanda, Luanda 
Saravá, saravá 
Bate o congô 
Bate o conguê 
Ogum dilê, Ogum 
Ogum dilê, orixá 
Salve o terreiro do bom saravá 
Oi! Eu vou te (fumar) 
O terreiro e o canto 
Pra baixar o santo 
Meu Pai Orixá 
Em torno do planeta 
Quando os deuses cantam 
En la bomboñera 
Quando os deuses dançam! 
Fala tambor... 
E a tecnologia 
Fala, fala, fala tambor! 



Que bom prato é vatapá
Gilberto Gil, Galvão, Paulinho 

Volta a moda 
Se falar mal de baiano 
Que bom prato é vatapá 
Mas cuidado que eu já vi 
Muito nego se dar mal 
Com siri e acarajé 
Que bom prato é vatapá 
Ta na onda 
Se falar mal de baiano 
Mas cuidado que eu já vi 
Muito nego se dar mal 
Com siri e acarajé 
Onde é onde é 
Que se viu que se viu 
Se cuspir 
No prato que se ouviu 
No prato que se ouviu 
O baiano anda olhando pra cima 
Feitiço é saber 
Ter no corpo dendê 



Salve a Bahia
Ataulfo Alves

Bahia Terra que tem candomblé 
Bahia da preta do acarajé 
Bahia tradicional meu senhor 
Bahia Terra que só dá doutor (bis) 
Cidade rainha da romaria, cidade do batuque de sinhá 
Cidade rainha da poesia, 
(Aí Bahia....) 
Castro Alves nasceu lá...... 
Bahia foi quem primeiro rezou, 
a missa que batizou meu país, 
Bahia Terra que Rui consagrou 
(Aí Bahia...) 
Ser baiano é ser feliz 



Ser baiano
Moraes Moreira e Saul Barbosa

É de obrigação, 
De obrigação de candomblé 
Ir da Conceição da Praia 
Ao Bonfim a pé 
É de obrigação 
De obrigação de candomblé 
Ir da Conceição da Praia 
Ao Bonfim a pé 
Ser baiano 
Me perguntaram o que é, 
É saber onde tem 
O melhor acarajé 
É subir e descer a ladeira 
De um jeito bonito 
Atestado de fé, ser baiano 
É um estado de espírito 
É de obrigação 
De obrigação de candomblé 
Ir da Conceição da Praia 
Ao Bonfim a pé 
Ser baiano é andar 
Assim como se dança, 
Ser baiano é falar 
Assim como se canta 
É nobreza apesar da pobreza, 
É a cabeça erguida, 
Na certeza de tudo vencer 
É bem viver a vida 
Ser baiano é o ouro do sol 
Ser baiano é a prata da lua 
Preto velho lá não fica velho 
Porque continua 
Apesar da idade, dançando 
No meio da rua 
É de obrigação



Só se fala na baiana
César Siqueira

O que é que a baiana tem ? 
Mas o que é que a baiana tem, 
Que todo mundo acha sobrenatural, 
O seu turbante já caiu de moda, 
O tabuleiro é coisa tão banal. 
E esta história de baiana com balangandãs 
Em roda de macumba, 
Ôi, Sinhô do Bonfim, 
Perdeu a graça, não tem mais poesia, 
E agora é só mania 
Que não tem mais fim. 
Ninguém fala, 
Na paulista ou mineira, 
Na gaúcha que é faceira 
E tem seu valor. 
E a carioca que tem tanta graça, 
Embaixatriz de nossa raça, 
Não tem mais louvor. 
E o sambista que só fala na Bahia, 
Certamente não conhece todo o meu país, 
A minha terra que é tão cheia de poesia, 
Onde a gente se extasia e todo mundo é tão feliz. 
Mas o que é que a baiana tem? 
Heim! 
O que é que a baiana tem? 
O seu turbante, 
Heim! já caiu da moda, 
O tabuleiro, 
Chi! é coisa tão banal, 
Perdeu a graça, não tem mais poesia, 
Com tudo isso meus senhores, 
A baiana inda é a tal. 



Você já foi à Bahia?
Dorival Caymmi

Você já foi à Bahia, nêga? 
Não? Então vá! 
Quem vai ao Bonfim, minha nêga 
Nunca mais quer voltar 
Muita sorte teve, 
Muita sorte tem, 
Muita sorte terá 
Você já foi à Bahia, nêga? 
Não? Então vá! 
Lá tem vatapá, 
Então vá! 
Lá tem caruru, 
Então vá! 
Lá tem mungunzá, 
Então vá! 
Se quiser sambar, 
Então vá! 
Nas sacadas dos sobrados 
Da velha São Salvador 
Há lembranças de donzelas 
Do tempo do Imperador 
Tudo, tudo na Bahia 
Faz a gente querer bem 
A Bahia tem um jeito 
Que nenhuma terra tem 



Comida Baiana
Grupo Sopro de Gaia
letras.mus.br › G › Grupo Sopro de Gaia

Hoje acordei bem cedo pra comer uma canjica
O tempo estava frio, obrigada Dona Zica!
Ela cozinha com talento pratos caseiros como cocada
Que é dura e mole ao mesmo tempo, mas é doce e não salgada
Olha mexe e remexe a comida africana
Pra dar sabor a comida baiana
Terminei o desjejum e fui passear no deck
Quando passou um menino vendendo pé de moleque
Não resisti e além do pé comi mapé
Da comida africana comi até o acarajé
Olha mexe e remexe a comida africana
Pra dar sabor a comida baiana
Passou por mim a mulher do seu Noronha
Tentei chamar a dona, mas chegou o carro da pamonha que gritava
Vendo pamonha, beiju, aluá e também cuscuz
Fui comprar os meus quitutes na praça da igreja ao pé da cruz
Olha mexe e remexe a comida africana
Pra dar sabor a comida baiana
Deu um conto e meio disse o moço da quitanda
Que também me contou que era filho de Aruanda
Pra concordar com a cabeça fiz que sim
Dei até logo e fui mimbora pra comer só mais um quindim

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